Mais de uma dúzia de membros do Parlamento Europeu pediram à Comissão Europeia que avalie se os automóveis fabricados pela chinesa BYD representam riscos de cibersegurança e de segurança nacional e se a empresa deverá ser sujeita a restrições, como a exclusão de procedimentos de contratação pública.
As perguntas escritas, registadas a 4 de novembro de 2026 e iniciadas pelo eurodeputado francês François Kalfon, questionam se a Comissão pretende envolver a Agência da UE para a Cibersegurança (ENISA) e se a BYD poderia ser classificada como um fornecedor “de alto risco” com acesso limitado a infraestruturas sensíveis de utilização dual. Os eurodeputados citaram explicitamente a lei de inteligência nacional da China de 2017 como motivo de preocupação.
O que motivou a iniciativa
O pedido surge na sequência de uma série de medidas de segurança noutros locais: no final de outubro as forças armadas dos EUA proibiram veículos da BYD na Base Aérea de Kadena, em Okinawa, alegando que os carros apresentavam um “risco inaceitável e não mitigável” — justificação divulgada em reportagens de 26 de outubro de 2026. A BYD disse à Reuters que “nenhum dado processado ou armazenado, quer na cloud quer dentro de um veículo, pode ser acedido remotamente da China” e que a BYD Europe não disponibiliza tais dados a entidades da BYD ou a terceiros na China.
Em França, Kalfon também escreveu a 4 de novembro ao Primeiro‑Ministro Sébastien Lecornu instando medidas nacionais — incluindo proibir carros da BYD em alguns locais militares e de ministérios e excluir a empresa das frotas administrativas — e citou um alerta alegadamente enviado pela Direcção de Inteligência e Segurança da Defesa (DRSD) mais cedo em 2026. A imprensa automóvel e os órgãos do sector em França publicaram a carta de Kalfon e as exigências relacionadas entre 4 e 5 de novembro.
O que isto significa para o mercado
A iniciativa política tem relevância imediata para o mercado da Europa Central e Oriental porque a BYD já opera uma instalação de montagem de automóveis de passageiros em Szeged, na Hungria. A produção experimental em Szeged começou no final de janeiro de 2026 e o local tem sido apresentado como a primeira fábrica europeia de automóveis de passageiros da BYD; dirigentes da empresa disseram a jornalistas que esperam que a montagem em série aumente mais tarde em 2026. Qualquer decisão ao nível da UE que limite o acesso da BYD à contratação pública ou a locais estratégicos afectaria, portanto, os carros produzidos localmente e a economia da estratégia europeia da BYD.
Efeitos práticos para a região poderão incluir um escrutínio mais rigoroso dos veículos BYD utilizados nas proximidades de infraestruturas militares ou de utilização dual, restrições às compras de frotas públicas e verificações de conformidade reforçadas em fábricas e centros logísticos. Regras da Comissão Europeia em discussão para favorecer “conteúdo local” nas contratações não proibiriam automaticamente carros fabricados na Hungria, mas a pressão política para restringir certos fornecedores por motivos de segurança poderia alterar a forma como os concursos são conduzidos. A Comissão normalmente tem cerca de seis semanas para responder a perguntas escritas de eurodeputados.
Para fornecedores e concessionários na Europa Central e de Leste, o impacto a curto prazo tende a ser reputacional e processual em vez de um choque súbito nas vendas: as vendas privadas permanecem inalteradas pelas perguntas dos eurodeputados. Mas investidores, compradores de frotas e governos nacionais passarão a ter em conta o risco de revisão de segurança nas suas decisões de contratação e de localização — e a capacidade da BYD de usar a etiqueta “made in Hungary” para evitar direitos anti‑subsídio da UE confere maior importância comercial a qualquer resultado regulatório.
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Fontes: Reuters, AutoSignal, Autoplus, Electric‑Vehicles.com



