As salas de exposição de Bucareste estão a esvaziar. Apenas 12.116 carros novos encontraram compradores na Roménia em outubro, uma queda de 5,6% face ao mesmo mês do ano anterior, e a tendência geral é ainda mais dura: os dados do Instituto Nacional de Estatística mostram que os registos do terceiro trimestre caíram 19,8% em relação ao período homólogo do ano passado. Com o acumulado do ano a descer 10,1%, para 109.329 unidades, um dos mercados automóveis mais acompanhados da Europa Central e Oriental engatou decisivamente a marcha-atrás.
Ainda assim, uma marca nada com força contra essa corrente. A BYD bateu o seu recorde de volume na Roménia em outubro — um marco notável num mês em que o mercado global contraiu, e uma prova clara de que a quota está a ser colhida mesmo enquanto o lago encolhe. O recorde coincide com uma expansão deliberada da presença da BYD no mercado romeno de veículos elétricos: falando numa conferência de imprensa aquando da sua chegada, a executiva da BYD, Li, sublinhou a importância da Roménia como mercado crucial para a empresa na Europa Central e Oriental, citando a tradição automóvel do país, a mão de obra qualificada e a localização geográfica estratégica.
A história do campeão da casa é mais agridoce. A Dacia, o gigante local, recua 18,2% e, segundo os observadores do mercado, atravessa novamente grandes dificuldades — embora o domínio da marca sobre as carteiras romenas continue visível no ranking de modelos, onde o acessível Logan subiu ao primeiro lugar no acumulado do ano. Curiosamente, o panorama empresarial contraria o das salas de exposição: a Automobile Dacia subiu do 27.º para o 24.º lugar no ranking das maiores empresas da Europa Central e Oriental, um caso raro de escalada romena numa tabela em que os campeões do país continuam sub-representados entre os líderes da região. As maiores empresas da Roménia estão, de facto, a crescer acima dos seus congéneres regionais em receita, com o retalho a puxar grande parte — a Lidl avançou do 35.º para o 33.º lugar com um volume de negócios 11,2% superior, enquanto o Carrefour cresceu 13,1%.
Para o setor — importadores, concessionários, vendedores de frotas e fornecedores —, a lição vinda de Bucareste é que a Roménia se tornou um mercado a duas velocidades. A procura total é frágil e cada vez mais sensível ao preço, premiando valores seguros como o Logan ao mesmo tempo que pune ambições de volume. Mas a queda não desanimou o investidor mais ousado da indústria: a BYD encara a Roménia não como um caso difícil, mas como uma cabeça de ponte estratégica na Europa Central e Oriental, apostando que o pedigree industrial e a geografia do país pesarão mais do que o declínio deste ano. Num mercado que perdeu um décimo do seu volume em dez meses, cada registo é agora terreno disputado.
Para os compradores individuais, um mercado em contração traz uma vantagem: os vendedores estão visivelmente mais abertos a negócios sobre stock de rotação lenta. Quer o seu alvo seja um campeão de valor como o Logan ou uma das novas chegadas elétricas a agitar os rankings, pode explorar carros sensacionais a condições sensacionais no WorldTrader24, o marketplace europeu com mais de 70.000 veículos.



