Os registos da Tesla saltaram 69% em sete mercados europeus em outubro, dando à marca uma quota de 3,2% do mercado total e 26% de um segmento de veículos elétricos a bateria que representa 12,3% das vendas. Os números chegam num momento em que grande parte do retalho automóvel da região está sob pressão, o que torna a dimensão do salto ainda mais impressionante.

A Roménia oferece o dado mais distintivo do conjunto. Ao contrário do que acontece na maioria dos mercados acompanhados, o Model 3 liderou lá a gama da Tesla, com 68% dos registos da marca — um padrão que distingue o país do restante da amostra e um lembrete de que a procura na Europa de Leste nem sempre segue o mesmo guião da região mais alargada.

O ponto brilhante elétrico surge contra um cenário de retalho difícil. A cifra de negócios do comércio de veículos motorizados e motociclos na Roménia caiu nos primeiros oito meses de 2026, segundo dados divulgados pela ACT Media. Mesmo assim, mais de 250 lojas aderiram à campanha Black Friday 2026 no país, e os retalhistas esperam que o tipo de procura que a Tesla gerou em outubro se prolongue pelo impulso de vendas de fim de ano.

Para além da região, o mercado global oferece pouco conforto. Nos EUA — ainda o segundo maior mercado mundial, com 12,1 milhões de carros novos — as vendas caíram 2,1%, enquanto a Coreia do Sul, com 1,21 milhões de carros, também registou uma tendência negativa, segundo uma análise da Izvestia. Os fabricantes europeus estabelecidos enfrentam o seu próprio aperto: a Automotive News informa que BMW, Mercedes, VW e Volvo estão a repensar as suas estratégias para a China, apostando no desenvolvimento local e na tecnologia chinesa à medida que os rivais domésticos ganham quota, embora os analistas questionem se essas estratégias restaurarão o poder de fixação de preços europeu. Uma Tesla mais forte na Europa apenas agudiza essa pressão competitiva.