Novembro instala-se sobre a costa báltica e, nos círculos industriais da Letónia, uma suposição confortável está a perder o brilho. A iniciativa 'Made in Europe' da UE deveria ser um jogo em casa para Riga — inequivocamente dentro da tenda, enquanto os de fora viam a porta dos subsídios fechar-se-lhes na cara. Mas o livro de regras emergente da indústria traz uma reviravolta: a tenda tem agora uma entrada lateral, marcada 'parceiros de confiança', e um passaporte da UE, por si só, já não é a garantia que há pouco parecia ser.

Como reporta o WardsAuto, um grande construtor automóvel apoia um foco de fabrico europeu em que 'parceiros de confiança' extra-UE estão incluídos numa estratégia para tornar a produção de veículos mais eficiente. A mensagem aos planeadores industriais de Riga a Daugavpils é direta: ser europeu dá entrada à conversa, mas é a eficiência que ganha o contrato. Para uma pequena economia na orla nordeste da UE, trata-se de uma missão bem mais dura do que simplesmente agitar a bandeira europeia.

O livro de regras dos subsídios explica por que razão o passaporte ainda importa. O plano 'Made in Europe' da UE — que, segundo reportagens internacionais, tem os fornecedores automóveis globais em sobressalto — excluiria dos subsídios da UE os carros importados do Japão, enquanto os modelos fabricados em França, Portugal e na Europa de Leste beneficiariam apenas se uma parte suficiente dos seus componentes viesse da Europa. A Letónia está claramente do lado certo dessa linha: cada componente fabricado no país conta, por definição, como conteúdo europeu — uma vantagem que nenhum acordo comercial pode conceder a uma fábrica fora do bloco.

Contudo, o mundo lá fora está a endurecer em blocos, mesmo que os líderes dos blocos se tornem mais pragmáticos. O Grupo Volkswagen vai apoiar-se nos Estados Unidos mais do que nunca com a sua fábrica da Audi na Geórgia, reporta o Automotive News — uma cobertura transatlântica notável. Na América, o comércio automóvel tornou-se política em estado bruto, com as tarifas automóveis de Trump sobre o Canadá a surgir como questão-chave na corrida ao Senado no Michigan. Para a Letónia, a lição corta nos dois sentidos: ancorar dentro do bloco industrial da UE raramente pareceu tão valioso — e os maiores jogadores do bloco raramente estiveram tão dispostos a procurar fora dele em nome da eficiência.