Relatos da imprensa alemã, reunidos no mais recente Automotive Supply Chain Risk Digest, indicam que questões de certificação ambiental e de águas residuais atrasaram a nova fábrica de baterias da CATL na Hungria, obrigando o fabricante chinês de células a continuar a abastecer os clientes europeus com envios a partir da China. As conclusões dão uma causa concreta a reportagens anteriores segundo as quais um memorando vazado da CATL tinha colocado os planos de abastecimento do local húngaro sob revisão — e sublinham o quanto a produção europeia de veículos elétricos ainda depende da logística transcontinental de células.
Os mesmos relatos descrevem mais atritos nas cadeias de abastecimento da Europa: os fornecimentos de cablagens elétricas foram atrasados por uma disrupção na especialista Krombe, enquanto o aviso central do digest — custos de chips e dependências de fonte única a travar a produção — aponta para uma fragilidade estrutural que nenhum fabricante automóvel consegue resolver sozinho. Para os fabricantes de toda a Europa Central e Oriental, o atraso de uma fábrica de baterias emblemática significa células a percorrer milhares de quilómetros a partir da China, em vez de chegarem de uma unidade regional, com prazos de entrega mais longos e custos de frete mais elevados como consequência direta.
O momento dificilmente poderia ser mais inoportuno, porque a procura de carros elétricos a bateria está a acelerar. Segundo a Automotive News, os veículos elétricos a bateria (BEVs) conquistaram 34% das matrículas de outubro em 12 grandes mercados europeus. Na Alemanha, os BEVs atingiram uma quota de 37%, à medida que preços dos combustíveis mais elevados e uma oferta crescente de modelos acessíveis afastavam os compradores dos motores de combustão — uma dinâmica que se construiu apesar de os eurodeputados terem recentemente suavizado a meta de CO2 dos carros de 2035 para 87,5%. O Reino Unido e a França também foram mercados fortes para veículos eletrificados.
O desfasamento é flagrante: exatamente quando os compradores europeus aderem em número crescente aos modelos elétricos, a capacidade de baterias localizada no continente está a chegar mais tarde do que o planeado. Até que a fábrica húngara supere os seus obstáculos ambientais, os fabricantes automóveis continuarão a pagar por células enviadas da China — em custos de frete e em risco de abastecimento — enquanto a disrupção nas cablagens e a pressão sobre os custos dos chips acrescentam mais incerteza aos calendários de produção em toda a região.
Para os fornecedores, o episódio serve de lembrete de que, na corrida às baterias, as licenças e o tratamento de águas residuais são tão decisivos como os cronogramas de construção. Atrasos na certificação podem anular meses de planeamento, e as dependências de fonte única transformam qualquer disrupção local num problema regional — razão pela qual o abastecimento diversificado de células deverá continuar em destaque nas agendas de compras europeias.
Para os concessionários e os compradores, estrangulamentos de abastecimento deste tipo podem alterar prazos de entrega e preços dos novos modelos eletrificados, tornando ainda mais vantajosa uma comparação atenta das ofertas em toda a Europa. Os leitores à procura de um veículo podem encontrar carros sensacionais a condições sensacionais na WorldTrader24, o marketplace europeu com mais de 70.000 veículos.


