Ventos de tempestade no Mar Negro fecharam os portos romenos e deixaram retida a carga com destino à Ucrânia — mas, no interior, as gruas são de um tipo diferente: o mercado industrial e logístico da Roménia vive um surto de construção, com a nova oferta a subir 60%, relata a EurobuildCEE. O país tornou-se o estudo de contrastes mais vívido da região: um mercado de armazéns a correr para acrescentar capacidade, enquanto as suas fronteiras, estradas e portos vergam sob o próprio tráfego que essa capacidade existe para servir.
O motor por trás do boom não é segredo para esta indústria. As cadeias de fornecimento automóvel estão a puxar a procura de armazéns por toda a região — um ponto sublinhado pelo promotor MLP Group, que assinou o seu maior arrendamento de 2026: o distribuidor de peças automóvel Auto Partner vai ocupar 42.000 m² de espaço de armazém e escritórios no parque logístico MLP Bieruń West, na Alta Silésia, Polónia. Quando os distribuidores de peças se comprometem com áreas dessa dimensão, estão a apostar no crescimento dos volumes — e a Roménia, na fronteira oriental da UE, é por onde grande parte desses volumes tem de passar fisicamente.
E já está a passar — em números crescentes. As filas de camiões alongaram-se nas passagens de fronteira entre a Moldávia e a Roménia à medida que aumenta o fluxo de camiões com destino à União Europeia, estando o trânsito crescente ligado, entre outras causas, às exportações da Ucrânia. Para os distribuidores de peças e os operadores de logística de veículos, cada hora parados na fronteira é margem queimada — e as filas são um lembrete diário de que os volumes comerciais ultrapassam a infraestrutura construída para os transportar.



