A Hungria registou um mês recorde de exportações, com as máquinas e os equipamentos de transporte a desempenhar o papel principal nos números de setembro, noticia o Daily News Hungary. Milhares de milhões de euros entraram no país na esteira do boom, embora o relatório aponte um senão por trás dos números de destaque — um lembrete de que os volumes recorde nem sempre contam toda a história.
A força não é fruto do acaso. A Hungria passou décadas a construir uma base industrial que hoje envia máquinas e veículos por todo o continente: a Bosch, por exemplo, instalou fábricas na Hungria, na República Checa e na Polónia à medida que se expandia pelo antigo Bloco de Leste, e o ímpeto automóvel do país manteve-se, mais recentemente com a Mercedes a preparar um Classe C elétrico para produção no país. A confiança estende-se também para além da indústria automóvel, com a Coca-Cola a anunciar um investimento recorde de 95 milhões de euros na Hungria.
No entanto, as estradas da região revelam a pressão desse mesmo sucesso. A Rádio Europa Liberă noticiou que cerca de 3.000 camiões são processados diariamente na fronteira moldavo-romena, um volume que gerou filas de vários quilómetros e deixou operadores de transporte pesado encalhados. Para um modelo de exportação que depende fortemente do transporte rodoviário de mercadorias, a capacidade de processamento nas fronteiras está a tornar-se rapidamente o constrangimento decisivo.
O pano de fundo é geopolítico. Com a guerra na Ucrânia já a ultrapassar os 1.700 dias, os corredores comerciais da região continuam em mutação, e o congelamento das reservas da Rússia continua a dividir o Ocidente — os governos da Europa Oriental defendem a confiscação, enquanto as capitais da Europa Ocidental temem minar a confiança no euro, segundo uma análise regional. As exportações recorde, por outras palavras, estão a ser alcançadas num mercado onde as regras do comércio ainda estão a ser escritas.
Para o comércio automóvel, o recorde de setembro é um sinal duplo. Os equipamentos de transporte são simultaneamente uma das principais exportações da Hungria e um custo operacional diário, e todos, de concessionários a gestores de frotas, sentem o atrito logístico nos prazos de entrega e nos preços. Isso está a levar uma parte cada vez maior do mercado para o online, onde o stock pode ser comparado entre países antes de um único camião ser despachado.
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