O mercado europeu de camiões pesados voltou a acelerar — e o motor mais ruidoso da retoma está a arrancar a leste do Oder. Os números destacados pelo portal de logística trans.info mostram que os registos de veículos com peso bruto de pelo menos 16 toneladas subiram 8,5% em toda a União Europeia nos primeiros nove meses de 2026, com a Polónia entre os grandes mercados que mais crescem no bloco.

É a geografia desta subida que a torna notável. A procura de equipamento novo recupera mais depressa em partes da Europa Central e Oriental do que em várias das maiores economias da Europa Ocidental — a ponto de um relatório da indústria questionar, sem rodeios, porque razão a Grã-Bretanha, durante muito tempo barómetro do setor, está a ficar para trás. Durante décadas, os sinais deste mercado fluíram de oeste para leste. A julgar por estes dados, começam a correr no sentido inverso.

O papel da Polónia nesta inversão não é coincidência. A indústria automóvel representa cerca de 11% da produção industrial do país, um pilar considerável da economia polaca. E o mercado segue um ritmo empresarial muito próprio: como a comparação com a vizinha Ucrânia deixa claro, um veículo empresarial na Polónia percorre um ciclo previsível — financiamento, vários anos em operação, regresso a uma empresa de leasing ou de aluguer e revenda. Essa estrutura de metrónomo converte a procura de transporte de mercadorias em renovação de frotas com uma eficiência invulgar.