À primeira vista, o mercado automóvel checo é um estudo em calma. Os novos registos na Chéquia subiram apenas 2,5%, ficando aquém do crescimento a dois dígitos registado noutras paragens da região e até dos sólidos 4% da Croácia — dificilmente matéria de manchetes na terra natal da Škoda Auto, o histórico fabricante fundado em 1896 como sucessor da Laurin & Klement. Mas os números agregados podem ser enganosamente tranquilos. Por baixo desse modesto crescimento, a composição do mercado checo está a ser reescrita a uma velocidade notável.
O pano de fundo europeu mais amplo explica parte do enigma. O mercado de automóveis de passageiros da UE tem demonstrado notável resiliência, a crescer 5,7% no acumulado do ano, apesar da persistente subida dos preços da energia e dos ventos contrários geopolíticos, com os modelos elétricos a bateria a deterem já uma quota de mercado de 22,7%. A procura de carros eletrificados tem mantido o mercado em crescimento, mesmo com as vendas a gasolina e a gasóleo a enfraquecerem — e é precisamente esta procura eletrificada que alimenta a ascensão das marcas chinesas por todo o continente.
A ilustração mais flagrante vem do Grupo Chery. Com as marcas Chery, Omoda e Jaecoo, o fabricante chinês somou 3.564 novos registos na República Checa no primeiro semestre do ano — contra apenas 252 no mesmo período do ano anterior. É um salto de catorze vezes alcançado no quintal de um dos fabricantes de automóveis mais antigos da Europa, um ritmo que chamaria a atenção em qualquer mercado do continente.
E a Chéquia não é um caso isolado. Os fabricantes chineses já vendem mais do que as marcas japonesas na Europa, e os dados até à primavera mostravam as marcas chinesas a alargarem gradualmente a sua quota de mercado, à medida que a procura eletrificada compensava a fraqueza nas vendas de motores de combustão. Os compradores checos, ao que tudo indica, não são imunes a esta deriva continental — um sinal inquietante para os incumbentes que outrora contavam com a geografia como um fosso defensivo.
Para o comércio automóvel checo — concessionários, importadores e compradores de frotas — a lição é que o crescimento agregado e a quota de mercado são duas histórias diferentes. Um mercado em expansão de 2,5% ainda pode produzir marcas a multiplicarem-se por catorze, e os direitos de distribuição, os valores residuais e a concorrência nas concessionárias estão a ser reprecificados em conformidade. No mercado doméstico da Škoda, os discretos 2,5% começam a parecer o número mais estrondoso da região.
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